Imobiliário

Vale a pena investir em imóveis em Criciúma? O que os dados mostram

Vale a pena investir em imóveis em Criciúma? O que os dados mostram

Investir em imóvel é decisão que se toma com dado, não com achismo. E quando a gente olha os números de Criciúma em 2026, aparece uma combinação que não é comum: economia acelerando, população crescendo e terreno acabando. Este artigo reúne o que os dados mostram sobre o mercado da cidade e, principalmente, onde estão as oportunidades e os riscos reais para quem quer aplicar dinheiro aqui.

1. O dado que muda tudo: os terrenos estão acabando

Existe uma movimentação silenciosa nos bastidores do mercado imobiliário de Criciúma. A disputa pelos últimos grandes terrenos com potencial para novos empreendimentos virou uma das principais estratégias das incorporadoras que projetam o crescimento urbano das próximas décadas.

A oferta de áreas bem localizadas, com infraestrutura e capacidade construtiva, está cada vez mais limitada — e isso atraiu não só as incorporadoras já consolidadas na região, mas também grupos de outras cidades e estados interessados no potencial de valorização do Sul catarinense.

Como resume Rafael Canuto, especialista em geração de novos negócios imobiliários, a matéria-prima do mercado passou a ser o terreno certo no lugar certo — e essa matéria-prima está cada vez mais escassa. Traduzindo para o investidor: quando o insumo acaba, o produto pronto se valoriza.

2. A estratégia que as grandes já estão usando

Diante desse cenário, cresceu entre as incorporadoras a formação de Land Bank: a compra de terrenos que nem sempre serão desenvolvidos de imediato, formando uma reserva estratégica para lançamentos futuros. Em alguns casos, as áreas ficam anos no portfólio da empresa até o mercado oferecer condições ideais.

Isso explica por que você vê terrenos aparentemente parados em pontos valiosos da cidade. Não estão parados — estão estocados. E é um sinal claro de para onde o capital profissional está olhando.

3. Economia aquecida: o motor da demanda

Valorização imobiliária sem economia por trás é bolha. Não é o caso aqui. No primeiro semestre de 2026, cerca de 5,4 mil novos empreendimentos foram abertos em Criciúma, um crescimento de 21,7% sobre o mesmo período de 2025 — acima da média de Santa Catarina, que ficou em 14%.

Mesmo descontando os 2,7 mil negócios que fecharam no período, a cidade terminou o semestre com saldo positivo de cerca de 2,67 mil empresas. Mais empresa significa mais emprego, mais gente vindo de fora e mais pressão por moradia — que é exatamente o que sustenta preço de imóvel no médio prazo.

4. Infraestrutura: o indicador que o investidor esperto acompanha

Obra de infraestrutura costuma anteceder valorização. E Criciúma vem recebendo aporte pesado. Desde 2023, a região recebeu cerca de R$ 150 milhões em investimentos na rede elétrica, sendo R$ 62 milhões em baixa e média tensão e R$ 88 milhões em alta tensão. A Coopera investe ainda R$ 45 milhões em uma nova subestação na cidade, com capacidade para atender a demanda energética da região pelos próximos 30 anos.

No município, a prefeitura vem liberando obras de pavimentação em bairros periféricos, como o investimento de R$ 8,3 milhões na rua Martinho Brunelli, no Mina União. Quem acompanha esse tipo de anúncio consegue se posicionar em bairros antes da curva de preço.

5. O contexto catarinense favorece

Santa Catarina tem hoje cerca de 8,2 milhões de habitantes, dois milhões a mais do que em 2010, e reúne a menor taxa de desemprego e a menor taxa de informalidade do Brasil. Crescimento populacional somado a emprego formal é a base mais sólida que existe para demanda habitacional.

Criciúma reúne mais de 220 mil habitantes, é o maior polo econômico do sul do estado e está entre as cidades mais seguras de Santa Catarina na faixa acima de 200 mil habitantes, segundo o ranking Connected Smart Cities.

6. Onde estão as oportunidades hoje

Terreno em região de expansão. É o ativo que os profissionais estão comprando. Exige capital parado e paciência, mas é onde está a maior assimetria de preço.

Compactos perto da UNESC. Ticket de entrada baixo, rentabilidade por metro quadrado alta e demanda renovada a cada semestre. É a porta de entrada mais acessível para quem está começando.

Médio padrão em bairro consolidado. Comerciário e Centro oferecem liquidez de revenda e vacância baixa. Rende menos que compacto estudantil, mas o risco é menor.

Imóvel na planta. Você entra no valor de lançamento e o ganho vem na entrega. Exige análise de construtora e leitura de contrato, mas costuma ter a melhor forma de pagamento.

Bairros com obra confirmada. Próspera, São Luiz, Rio Maina e regiões recebendo pavimentação. Horizonte mais longo, entrada mais barata.

7. Os riscos que precisam estar na mesa

Nenhuma análise honesta mostra só o lado bom. Imóvel tem baixa liquidez: se você precisar do dinheiro rápido, vai vender abaixo do valor. Tem custo de saída relevante, entre corretagem, imposto de ganho de capital e cartório. Tem custo de carrego, com IPTU, condomínio e manutenção correndo mesmo com o imóvel vazio.

E tem o risco mais subestimado de todos: comprar mal. Imóvel com documentação irregular, construção não averbada, litígio de herança ou pendência de condomínio pode virar prejuízo mesmo em mercado em alta. Valorização de cidade não conserta negócio malfeito.

8. Como a concorrência entre incorporadoras beneficia você

Há um efeito colateral positivo dessa disputa por terrenos. Com mais empresas competindo pelos mesmos espaços e pelos mesmos consumidores, cresce a necessidade de diferenciação por inovação, tecnologia, sustentabilidade, qualidade construtiva e melhores condições comerciais.

Na prática, quem compra hoje encontra projetos melhores e condições de pagamento mais flexíveis do que há alguns anos. É um momento de comprador informado — desde que ele saiba comparar.

9. Então, vale a pena?

Os dados apontam para sim, com três condições. Primeiro, horizonte de pelo menos cinco anos: imóvel não é investimento de curto prazo. Segundo, localização acima de acabamento: você reforma um imóvel, não muda o endereço dele. Terceiro, e mais importante, due diligence antes de assinar qualquer coisa — matrícula atualizada, certidões do vendedor, situação fiscal e regularidade da construção.

Os espaços que hoje despertam o interesse de incorporadoras e investidores serão, no futuro, o endereço de novos bairros, centros comerciais e polos de negócios da região. Quem entende isso antes compra melhor.

Quer avaliar uma oportunidade com análise técnica?

Sou corretor de imóveis (CRECI-SC 63784) e perito avaliador imobiliário (CNAI 56598), com atuação em Criciúma e região, Balneário Rincão e Florianópolis e região. Como perito avaliador, faço a análise de valor de mercado do imóvel antes da compra — o que evita pagar caro e mostra o potencial real de retorno. Se você está avaliando um investimento na região, me chame no WhatsApp.