Imobiliário

Comprar em Criciúma ou nas cidades vizinhas? (Içara, Forquilhinha, Nova Veneza, Cocal do Sul)

Comprar em Criciúma ou nas cidades vizinhas? (Içara, Forquilhinha, Nova Veneza, Cocal do Sul)

A pergunta aparece toda semana no meu WhatsApp: "compensa comprar em Criciúma ou é melhor pegar algo maior em Içara, Forquilhinha, Nova Veneza?" Não existe resposta única, mas existe um método para chegar na sua resposta. E ele passa por três variáveis que quase ninguém calcula direito: preço por metro quadrado, custo real do deslocamento e liquidez de revenda. Vamos por partes.

1. O que você está realmente comparando

A região carbonífera funciona, na prática, como uma cidade só. Criciúma, Içara, Forquilhinha, Nova Veneza, Cocal do Sul, Morro da Fumaça, Siderópolis, Urussanga e as demais cidades da AMREC formam uma área metropolitana com cerca de 250 mil pessoas no entorno imediato.

Isso significa que morar em Forquilhinha e trabalhar em Criciúma é rotina normal para milhares de pessoas — não é excentricidade. A pergunta não é se dá para fazer, e sim se a economia compensa o deslocamento no seu caso específico.

2. Criciúma: você paga pela infraestrutura e pela liquidez

Criciúma é o maior polo econômico do sul catarinense, com mais de 220 mil habitantes, hospitais de referência, UNESC, shoppings, rede de comércio completa e o maior mercado de trabalho da região.

A vantagem invisível é a liquidez. Imóvel em Criciúma vende mais rápido e aluga mais rápido, porque tem mais gente procurando. Se você precisar se desfazer do bem em seis meses, aqui é onde isso é mais viável. Liquidez tem valor, mesmo que não apareça no preço da tabela.

A desvantagem é óbvia: o metro quadrado é mais caro, e a escassez de terrenos bem localizados na cidade só empurra isso para cima. Com o mesmo orçamento, você compra menos área.

3. Içara: a vizinha que virou economia madura

Içara é a quarta cidade mais populosa da região e a segunda maior economia do Sul do estado, vivendo um momento de expansão econômica com pacote amplo de investimentos públicos em saúde, educação, infraestrutura e mobilidade.

A cidade fechou o último ano com crescimento expressivo na geração de empregos formais, saldo positivo no Caged e avanço nas exportações. É um perfil diferente de "cidade-dormitório": tem emprego próprio, o que sustenta a demanda por moradia local e reduz o risco para quem compra.

Para quem serve: quem quer preço mais acessível sem abrir mão de estrutura urbana e proximidade da praia. O acesso a Criciúma é rápido, e a cidade tem vida econômica própria.

4. Cocal do Sul: qualidade de vida reconhecida

Cocal do Sul aparece entre as 50 melhores cidades do Brasil para morar no Índice de Progresso Social (IPS) Brasil, que avalia os 5.570 municípios do país a partir de 57 indicadores sociais e ambientais — medindo acesso a saúde, moradia, segurança e serviços, e não apenas riqueza ou PIB.

Para uma cidade com pouco mais de 17 mil habitantes, é um resultado que diz muito. E ela vem se movimentando economicamente: está implantando uma nova área industrial com 36 lotes em cerca de 10 hectares, com expectativa de receber entre 20 e 30 empresas.

Para quem serve: famílias que priorizam tranquilidade, segurança e cidade pequena, aceitando deslocamento diário para trabalhar em Criciúma.

5. Forquilhinha e Nova Veneza: casa, terreno e vida de bairro

São as opções clássicas de quem quer casa com pátio, terreno maior e vizinhança tranquila. O metro quadrado é sensivelmente mais barato que em Criciúma, e o perfil das ofertas é diferente: mais casa, menos apartamento.

Nova Veneza ainda carrega o apelo turístico e cultural italiano, o que agrega valor de imagem à cidade. Forquilhinha tem forte vocação agroindustrial e um acesso muito direto a Criciúma.

Para quem serve: famílias com filhos que querem espaço externo, quem trabalha em casa ou tem horário flexível, e quem valoriza rotina de cidade pequena. Ponto de atenção: a oferta de imóveis é menor, e isso significa menos comparativos de preço e revenda mais lenta.

6. A conta do deslocamento que quase ninguém faz

Aqui está o erro mais comum. A pessoa economiza R$ 60 mil no imóvel e não calcula o custo de morar longe. Faça a conta antes:

Combustível. 30 km por dia, ida e volta, dá cerca de 660 km por mês. Dependendo do carro, são de R$ 300 a R$ 500 mensais só de combustível.

Manutenção e desvalorização do veículo. Mais quilometragem significa mais pneu, mais revisão e revenda menor.

Tempo. Quarenta minutos por dia no trânsito são mais de 160 horas por ano. Coloque um valor nisso.

Segundo carro. Se o casal trabalha em cidades diferentes, muitas vezes a mudança obriga a comprar outro veículo. Isso sozinho pode anular toda a economia.

Faça o cálculo em cinco anos. Se a diferença de preço do imóvel for menor que o custo total de deslocamento no período, morar longe não economizou nada — só deslocou o gasto.

7. E do lado do investimento?

Para quem compra pensando em retorno, a lógica muda um pouco. Criciúma oferece liquidez e demanda constante, mas parte de um preço mais alto. As cidades vizinhas oferecem ticket de entrada menor e, em alguns casos, percentual de valorização maior — especialmente onde há chegada de indústria, obra de infraestrutura ou nova área empresarial confirmada.

O critério prático é: acompanhe anúncio de investimento produtivo. Onde chega indústria, chega emprego; onde chega emprego, chega demanda por moradia. Nova área industrial em cidade pequena é um dos sinais mais confiáveis que existem para valorização de médio prazo.

8. Como decidir em cinco perguntas

Onde você trabalha, e isso vai mudar nos próximos anos? Emprego instável pede localização central.

Vocês têm quantos carros? Um carro só e trabalho em cidades diferentes é sinal de alerta.

Qual escola ou serviço de saúde não pode ficar longe? Isso define seu raio de busca melhor que qualquer lista.

Quanto tempo você pretende ficar no imóvel? Abaixo de cinco anos, liquidez de revenda pesa mais que economia na compra.

A diferença de preço cobre o custo de deslocamento em cinco anos? Se não cobre, a economia é ilusória.

9. A resposta honesta

Se você trabalha em Criciúma, tem um carro só e pretende revender em poucos anos, compre em Criciúma. Se você quer espaço, tem flexibilidade de horário ou trabalha na própria cidade vizinha, as opções do entorno costumam entregar muito mais imóvel pelo mesmo dinheiro — e várias delas têm indicadores de qualidade de vida melhores que a média nacional.

O que não dá é escolher só pelo preço da tabela. O custo real de um imóvel é o preço mais tudo o que ele obriga você a gastar todo mês para morar ali.

Quer fazer essa comparação com números reais?

Sou corretor de imóveis (CRECI-SC 63784) e perito avaliador imobiliário (CNAI 56598), com atuação em Criciúma e região, Balneário Rincão e Florianópolis e região. Se você está em dúvida entre comprar na cidade ou no entorno, me chame no WhatsApp que eu monto o comparativo com opções reais nas duas pontas e a conta de deslocamento incluída.